Então você arruma as malas, lacra caixas cheias de objetos que lembram momentos especiais ou não e as carrega até o caminhão de mudança. Separa uma única caixa - a maior de todas - e invés de carregá-la também, olha fixamente, respira fundo e a deixa ali no canto, jogada na sala. Sai da casa vazia, gira a chave o máximo de vezes possível e a segura firme um segundo antes de entregar ao próximo dono.
Entra no carro com sentimento de que fez o que era melhor, sente-se até mais leve que o habitual e vai pra longe, bem longe daquela casa vazia, daquela caixa lacrada.
Tenta não pensar nelas durante uma hora, durante um dia e depois, durante uma semana. Tenta, mas sempre tem algo ou alguém que irá te lembrar que aquela caixa e o conteúdo dela existiram e você sabe que é verdade e sabe que muita coisa que deveria ter ficado nela, foi junto com você.
Assim somos, uma casa lotada de sentimentos bons e ruins, várias vezes muito lotados. E quando essa superlotação acontece é que deve ser feita essa mudança, sempre deixando algumas coisas de lado e levando outras consigo.
O problema está nos sentimentos, nas lembranças que tentamos esquecer, será que estamos prontos para esquecê-los? Nunca foi e nunca será fácil fazê-lo, mas devemos perceber que existe a necessidade. Devemos aceitar, tentar pensar de outra forma, nos conformar, apesar de não ser o que queremos realmente fazer, não existe forma mais fácil.
E por mais que você lacre, por mais que fuja da caixa abandonada, o conteúdo dela virá a tona quando menos esperar, basta escolher se quer estar preparado pra lidar com as lembranças ou não.
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